Nem tudo que coça é candidíase
- Dra Arissa Onishi

- 1 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Coceira na região íntima é um sintoma que gera muito desconforto e, às vezes, constrangimento. Muitas mulheres associam imediatamente esse incômodo à candidíase, mas a verdade é que nem toda coceira é causada por fungos. Existem outras condições que podem provocar sintomas semelhantes — e o diagnóstico correto é essencial para evitar tratamentos repetidos e ineficazes.
O que é a candidíase?
A candidíase é uma infecção causada por um fungo (geralmente Candida albicans), e é realmente uma causa muito comum de coceira vaginal. Mas há outras situações em que a mulher sente o mesmo tipo de desconforto — e o tratamento é completamente diferente. Isso significa que se você já usou pomadas ou medicamentos “para candidíase” e não melhorou, o problema pode não ser esse.
O papel da microscopia do conteúdo vaginal
Um dos passos mais importantes na avaliação da coceira vaginal é o exame ginecológico minucioso, complementado com a microscopia do conteúdo vaginal, feita durante a consulta ginecológica. Esse exame é rápido e permite identificar com precisão o que está acontecendo — seja um fungo, um desequilíbrio da flora vaginal ou uma inflamação não infecciosa.
Outras causas de coceira na região íntima
Uma das condições que só pode ser diagnosticada pela microscopia é a vaginose citolítica.
Ela causa coceira e ardor muito parecidos com a candidíase, mas o mecanismo é outro: um excesso de lactobacilos, que acidifica demais o meio vaginal. Como o tratamento é diferente, o diagnóstico correto evita o uso desnecessário de antifúngicos — e melhora muito mais rápido os sintomas.
Além da candidíase e da vaginose citolítica, há outras causas que podem provocar coceira íntima:
Dermatites de contato: reações a sabonetes, absorventes, calcinhas sintéticas.
Alterações hormonais: como na menopausa, que tornam a mucosa mais sensível.
Infecções bacterianas ou parasitárias: menos frequentes, mas que exigem tratamento específico.
Líquens: doença que acomete a pele da região vulvar, que causa prurido intenso.
Evite a automedicação
É comum que muitas mulheres tentem tratar sozinhas, mas isso pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.
O ideal é sempre procurar uma avaliação ginecológica — especialmente quando os sintomas são recorrentes.
Um exame simples, como a microscopia, pode esclarecer rapidamente a causa e direcionar o tratamento correto.




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